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Saúde mental no trabalho: 11 estatísticas para você conhecer

Renato Ribeiro
Escrito por Renato Ribeiro em julho 26, 2022
10 min de leitura
Saúde mental no trabalho: 11 estatísticas para você conhecer
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Saúde mental no trabalho é um estado de bem-estar psicológico, emocional e social que o colaborador tem com as atividades que realiza. As estatísticas evidenciam a importância de investir nessa área para melhorar a produtividade e o engajamento da equipe com a empresa.

saúde mental no trabalho

A preocupação com a saúde mental no trabalho tem ganhado cada vez mais espaço nas organizações, e existe um motivo para isso. As evoluções tecnológicas aumentaram a pressão por resultados, ao passo que, como seres humanos, nosso cérebro não está adaptado a essas mudanças.

As doenças mentais se intensificaram, e o preconceito com elas só piora o cenário. Pessoas com vergonha de assumir que vão ao psiquiatra e há, ainda, as que pensam que o estresse e a ansiedade são coisas normais da modernidade. Como reflexo desses problemas, muitos profissionais buscam mudanças nas relações de trabalho, o que justifica, por exemplo, o aumento da procura dos coworkings.

A seguir, preparamos um guia sobre saúde mental no trabalho e sua importância. Conheça, também, 11 estatísticas que fornecem um panorama sobre o tema e como adotar uma política que promova qualidade de vida para seus colaboradores.

Guia da Produtividade no Trabalho Remoto

O que é saúde mental no trabalho?

A saúde mental no trabalho diz respeito ao estado psicológico, emocional e social das pessoas com o seu trabalho. Refere-se à capacidade dos trabalhadores em enfrentar as tensões e os desafios da atividade laboral, com consciência, produtividade e aprendizado.

Depressão, ansiedade e síndrome de burnout são algumas das doenças mentais que podem estar relacionadas com o trabalho. Porém, o fato de um funcionário não possuir essas doenças não significa que ele está em um ambiente de trabalho saudável.

Segundo a OMS, a saúde mental no trabalho é um estado de bem-estar e, embora existam estresses, o indivíduo precisa ter condições de se recuperar. Essas condições vêm tanto internamente quanto externamente.

Tanto o trabalhador precisa ter habilidade e orientação para lidar com os estressores quanto a empresa precisa oferecer ferramentas para que ele aprenda e supere tais situações.

Assim, saúde mental no trabalho não deve ser analisada apenas do ponto de vista das doenças psicológicas. É preciso uma cultura de prevenção, e não de remediação dos problemas.

Até porque muitas outras doenças estão relacionadas direta ou indiretamente com questões psicológicas. A ansiedade e a depressão levam a pessoa a diminuir o cuidado e a atenção para outras áreas de sua saúde, como alimentação e exercícios físicos.

Por que saúde mental no trabalho é importante?

A falta de saúde mental no trabalho ocasiona uma série de problemas. Os funcionários ficam mais estressados, não se comunicam corretamente e tendem a ser mais resistentes a mudanças, por exemplo.

Problemas mentais também agravam e ocasionam outras doenças, como obesidade, diabetes e hipertensão. Uma pessoa estressada pode ter dificuldades para dormir, o que leva à desatenção, a erros e a acidentes de trabalho.

O trabalho é parte importante na vida de qualquer adulto. É a nossa fonte de renda e, também, aquilo a que dedicamos a maior parte do dia. Além disso, é nesse espaço que acontecem muitas realizações pessoais e interações sociais.

É fundamental que as empresas considerem a saúde mental do colaborador como parte das atividades do clima organizacional. Pessoas satisfeitas são mais produtivas e engajadas.

Dados da Previdência Social apontam que, no Brasil, em 2021, mais de 75 mil pessoas se afastaram do trabalho por conta da depressão.

Além disso, os problemas mentais estão entre as principais causas de afastamento no trabalho, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, 37,8% das licenças médicas por transtorno mental são de depressão.

Portanto, investir em saúde mental não é apenas uma tarefa importante para a qualidade de vida dos colaboradores. Significa investir em mais produtividade, diminuição de turnover e lucratividade.

As estatísticas a seguir reforçam a importância do investimento em saúde mental no trabalho. Confira.

Guia da volta ao escritório (2)

Estatísticas de saúde mental no trabalho

1. A depressão e a ansiedade custam caro

De acordo com a WHO (World Health Organization), a depressão e a ansiedade causaram uma perda de aproximadamente US$ 1 trilhão na economia mundial.

2. Investir na saúde mental gera retorno

Por outro lado, a mesma pesquisa afirma que, para cada US$ 1 investido em ações que promovem melhorias na saúde e bem-estar mental dos colaboradores, US$ 4 são percebidos em ganhos com o aumento da produtividade.

3. As empresas já investem na saúde mental dos seus colaboradores

Na pesquisa realizada pela Wellable, foi constatado que grande parte das empresas já adota medidas para a melhoria da saúde mental de seus colaboradores. Dentre os fatores que chamam a atenção, estão:

  • 67% das empresas oferecem programas de assistência aos empregados;
  • 46% valorizam recursos de educação em saúde mental, tais como acesso a palestras, treinamentos e webinars;
  • 30% adotam escalas de trabalho mais flexíveis;
  • 29% valorizam o acesso às ferramentas digitais de saúde mental, como aplicativos para celular.

4. As práticas de mindfulness e meditação estão bem cotadas

As práticas de meditação e de mindfulness — exercícios para melhoria na capacidade de atenção e concentração — estão sendo encaradas como alternativas benéficas para as empresas. Mais da metade delas demonstrou intenção em aumentar os investimentos nessas iniciativas.

Inclusive, muitos espaços de coworking já oferecem práticas regulares de meditação guiada para seus frequentadores. As empresas e os profissionais liberais que fazem parte desse movimento já estão colhendo os benefícios de uma rotina mais centrada.

5. O estresse está mais presente do que nunca nas organizações

Outra pesquisa, publicada pela Capita, revelou dados alarmantes sobre a presença do estresse no cotidiano das empresas. Veja alguns desses números:

  • 79% dos colaboradores relataram ter sofrido estresse no trabalho nos últimos 12 meses;
  • 22% disseram sentir estresse com alta frequência ou o tempo todo;
  • 47% acham que é normal sentir estresse e ansiedade no trabalho;
  • 45% consideraram deixar um emprego devido ao estresse que ele gera;
  • 53% tiveram colegas que foram forçados a desistir do trabalho devido ao estresse;
  • 49% não acham que seu líder imediato saberia o que fazer se eles conversassem com ele sobre um problema de saúde mental.

6. Um colaborador estressado contamina todos à sua volta

Ainda de acordo com a Capita, o estresse causa aumento na irritabilidade e, com isso, outras pessoas são afetadas no ambiente, espalhando os males por toda equipe. Dentre os “efeitos colaterais” identificados nas respostas, chamam a atenção:

  • 44% afirmaram estar mais irritados no trabalho;
  • 25% aumentaram o consumo de álcool;
  • 28% confessaram descontar em familiares;
  • 15% aumentaram o consumo de cigarros.

7. Os problemas de saúde mental ainda são um tabu

Outro fator preocupante apontado pela mesma pesquisa é que 24% dos trabalhadores já precisaram se afastar por estresse. Contudo, menos da metade dos afastamentos teve registros relacionados à saúde mental.

Um outro dado que justifica essa situação é que 37% dos respondentes afirmam não se sentirem confortáveis em assumir para os colegas de trabalho, ou mesmo para a empresa que o afastamento foi motivado para cuidar da saúde mental.

8. Os profissionais não estão dormindo bem por causa do estresse

A pesquisa de 2019 da Mental Health American mostrou que o estresse está aumentando os problemas relacionados ao sono dos trabalhadores. Mais de 65% dos respondentes afirmaram que o estresse no trabalho está afetando a qualidade das suas noites de sono.

9. O estresse está causando mudanças comportamentais nas pessoas

Metade das pessoas que responderam à pesquisa disse que o estresse provoca comportamentos não saudáveis para ajudar a lidar com o problema, o que vai ao encontro do que já foi mencionado no tópico 6 sobre os dados obtidos pela Capita.

Uma pesquisa da Universidade de Phoenix apontou que mais da metade dos trabalhadores (54%) que estão trabalhando de casa durante todo o tempo de isolamento tem sentimentos negativos quando o assunto é o retorno ao escritório — dentre eles, preocupação, nervosismo e sobrecarga ganham destaque.

10. As pessoas não cuidam da própria saúde mental por medo

Novamente em concordância com os resultados da Capita, a Mental Health American apurou que 55% dos colaboradores sentem medo de tirar dias de folga para cuidarem de sua saúde mental.

11. A falta de receptividade das empresas também gera impactos negativos

A entidade perguntou aos participantes sobre o quão seguros eles se sentiam em conversar com seus gestores sobre problemas de saúde mental no trabalho. Dentre os que afirmaram não se sentirem seguros, também foram constatados outros efeitos do estresse, tais como:

  • problemas para dormir;
  • queda na autoconfiança;
  • queda na motivação;
  • aumento na quantidade de faltas e atrasos.

Os resultados de todas essas pesquisas mostram que os problemas causados pelo estresse e pela ansiedade existem e geram impactos tanto para profissionais quanto para empresas. É preciso buscar alternativas para amenizar o problema, seja adotando programas voltados para a saúde e para o bem-estar dos colaboradores, seja migrando o negócio para ambientes mais saudáveis e motivadores.

Dicas para promover a saúde mental no trabalho

Ainda que ações de saúde mental estejam presentes na maior parte das empresas, ainda há um caminho a ser percorrido. As práticas precisam fazer parte do dia a dia, de forma sistêmica, e não pontual.

Uma pesquisa da Oracle indicou que 84% dos colaboradores brasileiros que responderam à pesquisa consideram que as empresas precisam melhorar suas ações de política mental.

Isso significa que não basta oferecer atendimento psicológico gratuito, palestras e workshops pontuais, por exemplo. Os colaboradores também precisam:

  • De uma rotina de trabalho adequada;
  • De confiança em relação a suas atividades;
  • Perceber abertura para tratar de temas relacionados à saúde mental.

Guia Completo_ aprenda a trabalhar remotamente (1)

A flexibilidade e a autonomia também são importantes, pois promovem maior confiança e possibilitam que as pessoas possam tomar decisões de acordo com sua realidade.

Confira, a seguir, mais algumas dicas para melhorar a saúde mental no trabalho.

Comece educando gestores e líderes sobre saúde mental

Ainda existe muito tabu sobre saúde mental, e muitas pessoas não ficam à vontade para expor seus problemas psicológicos. Por isso, é essencial que os líderes e os gestores entendam sobre o assunto para que possam assumir uma postura acolhedora.

Além disso, é papel desses líderes balancear a carga de estresse para os colaboradores. Nenhuma equipe consegue trabalhar sob pressão o tempo inteiro. É preciso ter momentos de respiro entre uma tarefa mais complicada e outra.

Faça um mapeamento da situação 

Uma pesquisa organizacional vai ajudar a empresa a entender como pode melhorar suas ações. É importante que a pesquisa seja anônima e que os colaboradores se sintam à vontade para responder sinceramente.

Por outro lado, a empresa também deve entender que se trata de um levantamento visando à melhoria da qualidade de vida do colaborador, mas que vai impactar positivamente a produtividade e a eficiência do negócio. 

Mantenha a discussão aberta

Falar sobre saúde mental não pode ser algo limitado a campanhas e promoções. O colaborador deve sentir e perceber que os estresses fazem parte do dia a dia, mas que a organização está disposta a ajudá-lo quando ele precisar.

Assim, sempre ressaltar uma comunicação aberta e transparente, é uma boa atitude para manter a discussão aberta.

Crie uma cultura de work-life balance

Para melhorar a saúde mental de seus colaboradores, a empresa também pode orientá-los sobre como se organizar e equilibrar as preocupações.

Exercícios físicos, estabelecimento de rotina, rede de amizades e tempo de descanso são fundamentais para a saúde mental. A empresa pode apoiar oferecendo convênios com academias, palestras e workshops de orientação.

A fim de promover o descanso, ela pode desincentivar o envio de mensagens e e-mails fora do horário de trabalho. Além disso, não se deve cobrar ações fora do horário, a menos que sejam realmente urgentes e necessárias.

Tudo isso — alinhado a programas como oferta de terapia, plano de saúde e bonificações por resultados —, com certeza, aumentará a saúde mental da equipe.

Ofereça o trabalho flexível

O trabalho flexível já é realidade em muitas empresas no Brasil e no mundo. Nesse formato, a empresa está aberta a adotar algum tipo de maleabilidade no dia a dia, como o trabalho híbrido ou remoto, por exemplo.

O trabalho híbrido é aquele em que as atividades podem ser feitas no escritório e fora dele, conforme definição acordada por empresa e funcionários. Já o trabalho remoto possibilita que os colaboradores executem todas as suas atividades fora do escritório tradicional, como em home office, por exemplo.

Esses novos formatos são o futuro do trabalho e têm sido a preferência da maioria dos colaboradores, segundo pesquisas.

Essa flexibilidade é benéfica para a empresa e para a saúde mental dos colaboradores. Nessa realidade, eles não precisam enfrentar trânsito para chegar ao trabalho, têm a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar (o anywhere office) e definem rotinas mais adequadas a cada realidade.

O fato é que os empreendedores que não ficarem atentos à questão da saúde mental no trabalho tendem a amargar piora nos resultados operacionais e financeiros, à perda de espaço no mercado e à decadência da marca. É uma trajetória que só precisa de uma nova atitude para ser mudada, e o seu papel é dar o primeiro passo.

Falar de saúde mental no trabalho não é apenas necessário, mas também urgente para se adequar aos novos formatos e aos modelos de trabalho.

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