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Saiba quem é o empreendedor que deixou o Vale do Silício para criar uma cadeia de suprimentos improvisada na Ucrânia

Redação BeerOrCoffee
Escrito por Redação BeerOrCoffee em maio 9, 2022
7 min de leitura
Saiba quem é o empreendedor que deixou o Vale do Silício para criar uma cadeia de suprimentos improvisada na Ucrânia
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Andrey Liscovich ficou conhecido como o empreendedor que deixou o Vale do Silício para criar uma cadeia de suprimentos improvisada na Ucrânia e ajudar o seu país natal durante a guerra. Leia o artigo e confira essa história inspiradora!

empreendedor que deixou o Vale do Silício

 

Em 24 de fevereiro de 2022, o mundo se deparou com um dos maiores conflitos entre países dos últimos tempos. Nessa data, a Rússia iniciou uma invasão militar em larga escala contra a Ucrânia, marcando uma escalada acentuada para um conflito que se estende desde 2014.

Para alguns historiadores e analistas, essa é a maior invasão militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Foi em meio a esse cenário que Andrey Liscovich ficou conhecido como o empreendedor que deixou o Vale do Silício para ajudar a Ucrânia.

A seguir, contaremos mais sobre quem é esse empreendedor que largou tudo para ajudar o seu país em meio a um dos maiores conflitos armados dos últimos tempos. Para líderes de RH e outros gestores, essa história é bem interessante!

Conheça o empreendedor que deixou o Vale do Silício para ajudar a Ucrânia

Andrey Liscovich tem 37 anos e, até 2020, atuava como CEO da Uber Works, uma subsidiária da Uber. 

Quando deixou a empresa, ele começou a trabalhar no desenvolvimento de uma startup para ajudar as pessoas a financiarem despesas com educação e saúde. 

O empreendedor nasceu e cresceu em Zaporizhzhia, uma cidade do sudeste da Ucrânia. Anos depois, ele cursou doutorado na Universidade de Harvard e começou a trabalhar para a Uber.

Ao saber sobre a invasão da Ucrânia por tropas russas, Liscovich não pensou duas vezes. Ele deixou para trás a sua casa em San Francisco e todas as suas atividades profissionais para ajudar o seu país.

O ex-CEO da Uber Works declarou em entrevistas que uma de suas inspirações para retornar à terra natal foi o próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Ele pensou que, se o presidente, mesmo tendo sofrido inúmeras tentativas de assassinato, resolveu ficar no país e ajudar o seu povo, ele deveria fazer o mesmo.

empreendedor que deixou o Vale do Silício

“Pessoas que são inimigas na vida normal estão todas unidas. Eu pensei e vi que não podia ficar de fora. Tenho que contribuir de todas as formas possíveis”, declarou Liscovich em um chat com usuários do aplicativo Signal.

Assim, no dia 26 de fevereiro, Liscovich voou de San Francisco para Rzeszow, na Polônia. Lá, ele pegou um trem que o levou até a cidade polonesa de Przemysl, onde conseguiu carona com um caminhão dos bombeiros até a fronteira com a Ucrânia.

Depois, o empreendedor atravessou a fronteira a pé, chegando até o seu país natal. 

No caminho, ele também encontrou um jovem americano de 21 anos, de Massachusetts, que optou por se juntar à guerra na Ucrânia, em vez de se alistar no corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos.

Os conhecimentos da área de startups aplicados em zona de guerra

Quem gerencia uma startup precisa ter conhecimentos de assuntos importantes para empresas desse tipo, como as políticas de trabalho flexíveis e a diversidade nas organizações.

Provavelmente, o que Liscovich nunca pensou é que teria que usar os conhecimentos adquiridos no mundo corporativo para gerenciar equipes em uma zona de guerra.

Quando chegou à Ucrânia, Liscovich foi até o escritório de recrutamento do governo e perguntou como poderia ser útil. Dada a sua experiência como gestor, decidiu-se que as suas habilidades seriam adequadas para o setor de fornecimento de suprimentos.

Desde então, o empreendedor que deixou o Vale do Silício montou um escritório de logística na Ucrânia.

De lá, ele opera esquemas de compra e recebimento de suprimentos de itens como equipamentos táticos, smartphones, kits de primeiros socorros, powerbanks e até mesmo meias e roupas íntimas para os soldados voluntários.

Um grupo informal de executivos do Vale do Silício, formado por nomes como Lior Ron, Ryan Rzepecki e Rachel Holt, está coordenando uma rede de operações logísticas para defender a Ucrânia, ao lado de Liscovich, com o uso do aplicativo Discord como plataforma de comunicação entre a equipe.

“É uma questão empresarial, muito semelhante a gerir uma startup”, declarou Liscovich, ao ser questionado sobre o trabalho que está realizando na Ucrânia.

Lições aprendidas por Liscovich em suas operações durante a guerra

No centro de operações logísticas ucranianas, Liscovich e sua equipe, inicialmente, se concentraram em comprar localmente para que pudessem transportar suprimentos para os soldados da linha de frente rapidamente.

Porém, logo eles perceberam que a Ucrânia não produz a maioria dos suprimentos necessários para os combatentes. Além disso, mesmo para os produtos produzidos localmente, há estoques limitados.

A Ucrânia tem indústrias de petróleo e gás, por exemplo, mas nunca produziu o suficiente para atender às suas próprias necessidades. De tal forma, a Rússia acabou dominando o fornecimento de energia de muitas regiões do país. 

empreendedor que deixou o Vale do Silício

Isso sem contar que, durante a guerra, boa parte dos centros de armazenagem e indústrias da Ucrânia foram bombardeados e tiveram que encerrar as operações.

De acordo com Liscovich, uma das principais lições que ele aprendeu nesse período é que substituir um sistema de mercado é muito difícil, principalmente em um cenário de guerra.

Além disso, por mais que pessoas de todo o mundo tenham se sensibilizado com a situação da Ucrânia e tenham enviado doações, muitos suprimentos não chegaram ao local correto.

Ele conta que em Lviv, uma cidade próxima a Kiev, a capital ucraniana, e onde está localizado um dos principais centros de ajuda humanitária para os soldados, certa vez, ao abrirem milhares de caixas que foram recebidas sem identificação, a equipe se deparou com latas de comida para bebês e absorventes menstruais. Tais itens não têm utilidade para o exército.

“Temos coisas que o exército certamente não precisa. Ao mesmo tempo, os refugiados do lado polonês da fronteira, provavelmente, necessitam muito desses produtos”, declarou.

O fato é que os conhecimentos que temos sobre gestão jamais nos abandonam. Seja ao gerir uma startup ou uma cadeia de suprimentos na guerra, eles sempre serão úteis, assim como em diversas situações. Prova disso é essa história do empreendedor que deixou o Vale do Silício para ajudar a Ucrânia.

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Texto de Lucas FloresRelações Públicas e Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Revisado por Marcelo Madeira, tradutor, revisor e editor freelancer. 

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