Saiba o que é asset light e como essa estratégia pode escalar o seu negócio

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Asset light é uma estratégia de redução de custos nas empresas em que se trabalha com a menor quantidade possível de ativos. Assim, mantém-se apenas aquilo que é essencial para as operações do negócio. Saiba mais!

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A redução de custos operacionais é algo sempre bem-vindo no mundo dos negócios. Afinal, quanto menos se gasta, mais lucratividade a empresa tem, e mais investimentos podem ser realizados. Nesse cenário, o asset light faz a diferença no seu fluxo de caixa.

Basicamente, uma empresa que adota essa estratégia é aquela que não tem muitos ativos. Ou seja, ela trabalha apenas com aquilo que é essencial para o seu funcionamento.

Dessa maneira, tudo o que é considerado superficial ou que não faz parte do core business — ou seja, o centro do negócio — é cortado ou terceirizado. A ideia é gastar menos e se tornar uma empresa mais competitiva e lucrativa.

Quer saber mais sobre o asset light, as suas vantagens e como ter uma empresa com modelo de negócio escalável adotando essa estratégia? Para isso, você só precisa continuar a leitura deste artigo. Vamos lá?

O que é asset light?

Asset light é uma estratégia de redução de custos em que a empresa mantém a menor quantidade de ativos possíveis. Dessa forma, ela precisa arcar com os gastos somente do que é, de fato, essencial para a realização de suas operações.

Ao ser literalmente traduzido para a língua portuguesa, o termo asset light significa “leve em ativos”, ou seja, uma empresa que trabalha com poucos recursos.

Dessa maneira, consegue ser um negócio mais escalável e que pode trazer mais lucros em um curto espaço de tempo.

O modelo asset light é bastante praticado por empresas e startups do setor de serviços. Um bom exemplo disso é a Uber, que oferece serviços de transporte por aplicativo, mas não tem carros próprios.

Outro exemplo similar é o Airbnb, rede de hospedagens que conta com parceiros oferecendo locações. Ou seja, a plataforma não conta com imóveis próprios para oferecer aos locatários.

O que caracteriza o asset light?

A principal característica de um negócio asset light é o fato de ele ter apenas a quantidade de ativos essenciais para as suas operações.

Hoje em dia, inúmeros negócios precisam apenas de computadores e uma boa conexão com a internet para funcionar, por exemplo.

Em casos assim, a empresa pode incentivar o home office e o trabalho remoto, sem a necessidade de gastar muito com aluguel e despesas relacionadas, como condomínio e contas de energia e internet.

Isso porque negócios que podem funcionar 100% online não precisam ter uma grande sede com escritórios. Afinal, não é o espaço físico que faz as atividades serem realizadas.

Os colaboradores podem muito bem realizar as suas atividades em suas próprias casas, em coworkings, em cafeterias ou em qualquer local, como prevê a cultura do anywhere office

Quais são as vantagens no modelo asset light?

Uma pesquisa realizada pela Ernst & Young LLP, em fevereiro de 2021, apontou que 31% dos executivos estão considerando adotar o modelo asset light em seus negócios.

As vantagens que essa prática de redução de custos nas empresas proporciona aos negócios são o que faz com que ela seja cada vez mais presente no mundo corporativo.

Veja os principais benefícios do asset light abaixo!

Menor investimento inicial

Essa estratégia é ideal para empreendedores com uma ótima ideia de negócio na cabeça, mas com poucos recursos financeiros para colocá-la em prática.

A maioria dos modelos de negócios baseados em aplicativos, por exemplo, exige apenas o custo do desenvolvimento da tecnologia e das ações de marketing para conquistar clientes.

É o caso do Uber e do Airbnb, anteriormente citados. Tais negócios têm capacidade de gerar receitas mais altas com investimentos mais baixos.

Isso permite que os empreendedores e os investidores comecem um negócio pequeno e consigam escalá-lo rapidamente, conseguindo uma boa lucratividade em pouco tempo de operação.

Alta escalabilidade

Como explicamos, os negócios asset light são mais escaláveis. Ou seja, eles conseguem crescer rapidamente e conquistar clientes, parceiros e investidores em um curto período e sem aumentar os custos de forma proporcional.

Isso porque as empresas que adotam esse modelo de negócios não precisam contar com espaços físicos muito amplos para crescer.

Em vez disso, elas utilizam a infraestrutura física existente adicionando novos serviços quando necessário ou adotando ações estratégicas para otimizá-la.

Exemplo disso é o trabalho híbrido, em que os colaboradores trabalham alguns dias no escritório da empresa e outros em lugares de sua preferência.

Com esse tipo de estratégia, a empresa pode fazer um rodízio de funcionários no escritório, mantendo as operações que, por ventura, devem ser realizadas presencialmente.

Sem ter que investir em mais estrutura física, a empresa lucra mais, mostra-se mais bem-sucedida para o mercado e atrai investidores, que injetam capital com o objetivo de expandir os negócios.

 

Flexibilidade nas operações

Assim como os negócios que adotam o asset light são escaláveis, também são flexíveis. Isso quer dizer que eles podem ser reduzidos com a mesma rapidez como são ampliados.

Ou seja, se ocorrer uma recessão ou crise econômica no país, por exemplo, é fácil reduzir de tamanho e se manter no mercado, sem ter que “fechar as portas” e encerrar as operações.

Logo, mesmo em períodos de crise, um negócio asset light pode manter as suas operações e seguir lucrando. Além disso, se manterá competitivo no mercado e poderá ficar sempre um passo à frente da concorrência.

Podemos dizer, portanto, que o modelo de negócios sem ativos fornece aos empreendedores e aos investidores muitas opções para flexibilizar o negócio em prazos muito curtos.

Estabilidade nos lucros

Os investidores preferem apostar em negócios que tenham fluxos de caixa mais estáveis. Nesse ponto, quem adota uma política de asset light também leva vantagem.

Como mencionamos, as empresas que seguem a proposta do asset light conseguem flexibilizar as suas despesas em curto prazo. Assim, os lucros se mantêm estáveis, e o negócio segue sendo interessante para quem tem o poder do capital em mãos.

ROI alto

O retorno sobre o investimento (ROI) é uma das principais métricas que devem ser acompanhadas por qualquer negócio. O indicador costuma ser bem mais alto em negócios asset light.

As empresas que adotam a política de poucos ativos, geralmente, estruturam os seus negócios com serviços de pagamento conforme o uso. Assim, têm um maior retorno sobre os investimentos.

Vamos pensar, por exemplo, no aluguel de escritórios para os funcionários trabalharem. Se escolherem alugar uma sala em um prédio corporativo, as empresas precisarão, inicialmente, calcular de quanto espaço os colaboradores necessitam.

Supondo que essa empresa tenha 20 funcionários, precisará dispor da mesma quantidade de estações de trabalho. Porém, se, por qualquer motivo, for necessário demitir cinco colaboradores, o valor do aluguel permanecerá igual.

Isso não acontece quando o negócio, em vez do escritório tradicional, faz a assinatura de uma plataforma de coworkings. Ao contratar um serviço desse tipo, será pago apenas o valor referente às diárias dos funcionários nos espaços.

Ou seja, a empresa poderá ajustar as suas necessidades de espaço, de acordo com o momento que vive. Assim, consegue aumentar o ROI e dispor de maior lucratividade.

Transferências de riscos

O asset light é um modelo que está muito próximo da terceirização de atividades. A ideia é que a empresa possa contratar prestadores de serviços para áreas que não são o seu foco principal, transferindo, então, os riscos.

Sempre que uma atividade está sendo transferida, é importante observar que o fornecedor é obrigado a manter um determinado nível de serviço.

Por exemplo, imagine que você tem um e-commerce de produtos e terceirizou o serviço de entregas. Nesse caso, independentemente do que aconteça, a empresa de logística contratada é obrigada a realizar as operações.

Caso tivesse um entregador próprio, e esse funcionário ficasse doente e precisasse ser substituído, você teria que ir atrás de outra pessoa para cumprir as funções dele.

Se isso acontecer com um prestador de serviços terceirizado, a obrigação de encontrar um substituto não é sua, mas sim da empresa que você contratou.

Como se pode perceber, a transferência de riscos é benéfica, tendo em vista que você economizará tempo e dinheiro do seu negócio. Mais uma vez, o asset light se mostra vantajoso.

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Austin Distel / Unsplash

Como aplicar esse modelo de redução de custos nas empresas?

A partir de uma pesquisa realizada, a EY Parthenon desenvolveu uma espécie de metodologia para aplicar o asset light nas empresas.

O Full Potential Paradigm, como foi chamado, é uma ferramenta que fornece um ponto de vista objetivo e quantitativo para definir metas de desempenho, priorizar investimentos e mitigar riscos.

De acordo com esse método, para um negócio se tornar asset light, é necessário fazer um levantamento de recursos classificados em quatro categorias. Veja!

Recursos essenciais

Os recursos essenciais são críticos e não podem ser cortados para que o funcionamento do negócio ocorra.

Para um e-commerce, por exemplo, ter uma boa plataforma de hospedagem para o site é um recurso essencial. Afinal, sem isso, o negócio não funciona.

Recursos não essenciais

Os recursos não essenciais são aqueles que não estão diretamente relacionados ao funcionamento do negócio e podem ser gerenciados por terceiros.

Exemplo disso são as atividades do campo de logística, que podem ser terceirizadas de acordo com as necessidades de cada empresa.

Recursos de alto valor para o futuro da empresa

São atividades ou ações de alto valor estratégico para as empresas, mas que, no momento, ainda não trazem lucro.

Um exemplo é o desenvolvimento de novos produtos ou tecnologias que ainda não são populares, porém que tendem a ser muito usados no futuro.

Dessa forma, não vale a pena cortar esse custo, tendo em vista que ele poderá ter alto valor estratégico no futuro. Funciona como se fosse um investimento de longo prazo.

Recursos de alto valor para os clientes

Esses recursos são essenciais para os clientes. Por isso, não podem ser cortados para não haver prejuízos ao funcionamento do negócio.

Um restaurante pode otimizar o cardápio reduzindo alguns pratos, mas não pode excluir o carro-chefe, ou seja, o pedido que é o queridinho dos clientes.

Com base nesses fatores, a empresa pode tomar decisões estratégicas a fim de otimizar custos, sem perder a sua eficiência operacional.

Trocar os escritórios tradicionais por espaços de coworking, por exemplo, é uma ideia que pode ser pensada.

Como a estratégia de asset light acelera os negócios?

O que não faltam são cases e exemplos de empresas de sucesso que implementaram estratégias de asset light.

De acordo com o que explicamos, basicamente, para aplicar o modelo asset light numa empresa, deve-se substituir os ativos fixos e de longo prazo em despesas operacionais flexíveis e contínuas. Na prática, você deve substituir os Capex por Opex.

Capex, vale lembrar, é o dinheiro gasto para comprar, reparar, atualizar ou melhorar um ativo fixo da empresa. É o que acontece quando a equipe cresce, e você precisa alugar ou comprar uma sala mais ampla para usar como escritório da organização, por exemplo.

O Opex, por sua vez, caracteriza-se por ser um tipo de gasto que não resulta em ativos de capital. Ou seja, trata-se de despesas que são flexíveis e ajustadas de acordo com as necessidades de cada momento.

Seguindo o exemplo anterior, a empresa pode contratar uma plataforma de coworkings e pagar pelo número de assentos ocupados, de acordo com a quantidade de colaboradores. Assim, não precisa arcar com um alto investimento para ter um novo escritório.

Isso faz com que o negócio seja acelerado e possa crescer muito mais rapidamente e de forma saudável, mesmo sem ter muito capital.

Portanto, o asset light é uma ótima maneira de evitar erros na redução de custos e conquistar mais vantagens para o negócio. Por meio dele, você tem um modelo de negócio escalável e de alta lucratividade, o que tende a garantir a saúde financeira da sua empreitada.


Texto de Lucas FloresRelações Públicas e Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Revisado por Gabriele Lisboa, revisora textual freelancer.

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