Anywhere Office

Ética para monitorar seus funcionários: tudo o que você precisa saber sobre o assunto

Renato Ribeiro
Escrito por Renato Ribeiro em setembro 29, 2021
5 min de leitura
Ética para monitorar seus funcionários: tudo o que você precisa saber sobre o assunto
Junte-se a mais de 30 mil pessoas!

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos sobre o futuro do trabalho!

Apesar dos benefícios, o trabalho remoto trouxe a necessidade de acompanhar os resultados a distância. Você sabe os limites da ética para monitorar seus funcionários? Entenda o conceito e as boas práticas de monitoramento!

O trabalho remoto já se consolidou no mercado com a adesão de várias empresas e profissionais. Porém, quando se trata de produtividade, é importante saber como acompanhar os resultados. Logo, o tema evidencia a importância de refletir sobre a ética para monitorar os funcionários.

Você já parou para avaliar se as práticas adotadas ou planejadas atendem à legislação? Afinal, além das leis específicas, é preciso considerar direitos fundamentais de todas as pessoas, como privacidade e dignidade. Assim, a ética das medidas implementadas têm especial relevância.

Sabemos que o tema pode ser complexo. Por isso, preparamos este conteúdo com tudo o que você precisa saber sobre ética para monitorar seus funcionários. Boa leitura!

ética para monitorar seus funcionários

O que significa ética no monitoramento da equipe?

O termo “ética” pode ser definido como um conjunto de valores e normas morais e de condutas que são aplicadas por uma pessoa, empresa, grupo social ou a própria sociedade. Ou seja, ela tem um caráter subjetivo, mas segue critérios que se baseiam em valores e costumes sociais, que se desenvolvem ao longo do tempo. 

Aqui, é importante diferenciá-la da lei: embora possam ter relação, são conceitos distintos. A lei tende a ser baseada em princípios éticos. Além disso, podem existir códigos de ética, que funcionam como normas de aplicação obrigatória.

No entanto, há comportamentos que não são considerados éticos e, ainda assim, não estão proibidos pela lei. É exatamente isso que gera dificuldades na hora de definir os limites para monitorar os funcionários. 

O monitoramento da equipe é ético?

A primeira dúvida que deve ser considerada é se o monitoramento da equipe em home office é ético. Avaliando uma relação de emprego, em que há subordinação, acompanhar e controlar as atividades não é classificado como uma prática antiética ou irregular. No entanto, a resposta exata dependerá das práticas adotadas para isso.

Esse monitoramento pode contar com diferentes medidas, com maior ou menor impacto na autonomia e na privacidade do colaborador. Desse modo, a ética da empresa ao adotar a estratégia dependerá sempre das ações específicas aplicadas. Em alguns casos, a lei traz insights, como no caso da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e da Constituição Federal.

Em outras situações, será necessário avaliar os comportamentos sociais aceitáveis, os valores da empresa, as práticas do mercado e, até mesmo, as discussões acerca do tema. Aprofundar os seus conhecimentos é importante para garantir medidas mais adequadas para o desenvolvimento do negócio. 

Quais são os tipos de monitoramento adotados?

Além de compreender o conceito de ética, vale conferir os principais tipos de monitoramento adotadas pela empresa. Avaliando o seu funcionamento, é possível refletir sobre o seu alinhamento com a ética da empresa e da sociedade, além da própria legislação. Veja só:

  • Monitoramento de chamadas
  • Vigilância de rede ou do sistema;
  • Controle de mensagens e e-mails;
  • Monitoramento por câmeras
  • Controle de ponto à distância;
  • Monitoramento por GPS.

Vale destacar que muitas dessas alternativas também são aplicadas no ambiente presencial da empresa, se tornando relevantes em caso de trabalho híbrido, por exemplo. Assim, é comum que as companhias busquem adaptar práticas já adotadas no espaço físico para o modelo à distância. Porém, nem sempre a estratégia pode ser adequada. 

ética para monitorar seus funcionários

Como aplicar a ética para monitorar seus funcionários?

Conhecendo o conceito, é provável que você ainda tenha dúvidas sobre como aplicá-lo. Afinal de contas, quais são os limites éticos para fazer esse monitoramento? Na prática, a questão pode não ser tão clara, principalmente, por ser um tema subjetivo em alguns casos. 

Ademais, mesmo que não se confunda com a lei, a falta de definições legais costuma trazer dificuldades para entender os limites. Um comportamento antiético pode também ser abusivo, tende a gerar atritos entre as partes e, até mesmo, resultar em processo judiciais movidos por trabalhadores que se sentiram lesados pela prática. 

Reflita sobre as alternativas

A principal dica para iniciar essa análise é fazer uma reflexão aprofundada, considerando diversas questões sobre o monitoramento do trabalho em home office. Veja algumas perguntas que você pode fazer para entender:

  • Será que a medida é realmente necessária?
  • O monitoramento trará dados que permitam avaliações da empresa?
  • A prática pode trazer algum tipo de constrangimento?
  • Ela respeita a privacidade e a vida pessoal do trabalhador?
  • A forma de monitorar o funcionário se alinha aos valores da empresa?
  • O monitoramento se limita ao ambiente de trabalho?
  • A medida afeta o conforto e o bem-estar do funcionário?
  • As práticas adotadas protegem os dados dos colaboradores?
  • O colaborador tem consciência das regras e limites desse monitoramento?

Além de responder às questões, pense também nos limites legais. A privacidade é um direito previsto na Constituição Federal que não pode ser negado a uma pessoa. O mesmo acontece com a honra e a dignidade humana, por exemplo. Portanto, faça uma avaliação crítica aprofundada sobre cada opção de monitoramento.

Conte com o apoio da equipe

Para ajudar, você também pode coletar ideias e feedbacks da equipe. Dar abertura para que as pessoas compartilhem experiências e a forma como se sentem pode ampliar a sua visão sobre o tema. Tudo isso trará dados relevantes para que seja possível definir quais são as alternativas mais adequadas para a empresa, respeitando os limites éticos. 

Tenha um guia de boas práticas

Por fim, vale consolidar as questões em um guia para toda a empresa. A companhia pode ter as suas normas internas sobre ética no trabalho, incluindo as práticas de monitoramento. Após definir quais serão as medidas aplicadas, registre as informações, de modo a conscientizar a equipe.

Esse manual ainda pode trazer limites éticos específicos, descrevendo ações que não devem ser praticadas e as penalidades aplicáveis. Isso ajudará a alinhar as lideranças, além de proporcionar mais segurança para os trabalhadores em relação aos seus direitos fundamentais. 

Como você aprendeu, ter ética para monitorar seus funcionários é fundamental para ter um ambiente de trabalho adequado, além de trazer segurança para as partes. Porém, o conceito pode ser subjetivo, então, é fundamental analisá-lo com cuidado para que a empresa adote práticas adequadas e saudáveis.

Quer aprender mais sobre as práticas que devem ser observadas no home office? Descubra o que a legislação brasileira diz sobre o tema!

Texto escrito por Joanna Nandi, Redatora Web.