Futuro do Trabalho

Por que os espaços de trabalho nos EUA estão passando por um “tsunami” de rotatividade de empregos

Renato Ribeiro
Escrito por Renato Ribeiro em julho 22, 2021
Por que os espaços de trabalho nos EUA estão passando por um “tsunami” de rotatividade de empregos
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Os Estados Unidos são uma referência para o mundo todo. Além da potência econômica, o país também lidera em outros aspectos. Ou seja, o que acontece por lá invariavelmente ocorre por aqui, mais cedo ou mais tarde. E o que o cenário nos mostra agora é uma mudança significativa dos espaços de trabalho nos EUA.

A ideia é defendida pelo CEO da Work Dynamics, Neil Murray. Ele integra um grupo na JLL, uma das gigantes do setor imobiliário norte-americano e diz que o mercado de trabalho do país está sendo afetado por um “tsunami”.

Essa onda começou a se intensificar com a pandemia do coronavírus. As mudanças nas formas de trabalho trouxeram alterações para uma grande faixa da sociedade americana. No Brasil, o fenômeno também é verificado.

Para entender melhor o que acontece por lá e por aqui, fizemos uma análise das falas de Murray, em entrevista à revista Time, e comparamos com o mercado brasileiro. Assim, é possível prever como será o futuro do trabalho. Vamos lá?

Dados do cenário de EUA e Brasil

Para começar, é preciso entender como está o contexto atual. A pandemia ainda não acabou. A vacinação já causa efeitos — e os dados comprovam.

Nos Estados Unidos, apenas 0,01% dos vacinados pegaram a COVID-19. Do universo de pessoas que acabaram se infectando, 27% ficaram assintomáticos. Isso representou 2.725 americanos.

No Brasil, a taxa de vacinação ainda é menor. Mas já é possível ver efeitos positivos. Dados do consórcio dos veículos da imprensa mostram que, entre 19 de junho e 1º de julho, a média móvel de mortes ficou em queda. Saiu de 2.073 para 1.558 por dia.

Especialistas alegam que essa consequência vem da imunização. Inclusive, o infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, afirmou em entrevista ao G1 que “a vacinação com duas doses dos idosos (é a explicação para a queda). A cobertura já está bem elevada nesta faixa, acima dos 60%. Acima dos 70, 80 e 90 (anos), ainda é maior. No número de casos, o impacto só vai ser maior com o avanço da vacinação”.

Esses números positivos impactam muito mais do que a saúde da população. Eles também interferem nos espaços de trabalho nos EUA e no Brasil. No primeiro país, cerca de ⅓ dos trabalhadores já retornaram ao escritório, de acordo com dados da JLL.

Em algumas cidades texanas importantes — como Austin, Dallas e Houston —, a taxa de retorno já chegou a 50%. Por outro lado, em outros locais, os dados são significativamente menores. Dois bons exemplos são Nova York, com 21,9%, e San Francisco, com 19,2%.

Por que a disparidade? A resposta está na reação dos colaboradores. Boa parte dos funcionários das companhias de tecnologia discordaram da ideia de retornarem ao escritório. Inclusive, o levantamento feito pela JLL mostrou que a maior parte dos trabalhadores prefere a flexibilidade. Em outras palavras, o trabalho híbrido.

O objetivo é voltar ao escritório 3 dias por semana. No restante do tempo, ficar em outro local. Esse desejo é tão grande que superou o salário como preocupação principal dos funcionários nesse momento.

Afinal, o equilíbrio proporcionado pelo trabalho distribuído permite chegar ao melhor de dois mundos. Além de aproveitar melhor o tempo e ter flexibilidade, os maiores problemas do home office são evitados. No estudo, os maiores desafios apontados devido ao trabalho remoto foram:

  • Para as mulheres, o limite entre vida pessoal e profissional. Como esses âmbitos se confundiram, muitas querem sair de casa para poderem se desligar do trabalho enquanto estiverem em casa e vice-versa;
  • Para os homens, a perda do senso de rotina e do contato com os colegas.

Com o trabalho híbrido, essas questões são resolvidas. Há equilíbrio e possibilidade de exercer suas funções fora do escritório. Ao mesmo tempo, o profissional pode comparecer à empresa sempre que desejar.

Mudanças dos espaços de trabalho nos EUA e no Brasil

Neil Murray, CEO of JLL's Work Dynamics groupPara o pós-pandemia, Neil Murray, CEO da Work Dynamics (foto), acredita que a maioria das empresas adotará o modelo de trabalho híbrido, que é mais flexível. Focado no futuro do mercado, ele sinaliza que muitas companhias estavam trabalhando parcialmente de forma híbrida no pré-pandemia. “Eu costumava ir ao escritório de Chicago toda sexta-feira e era somente eu, e algumas pessoas que não queriam estar em casa”, relata.

Ainda assim, haverá escritórios que receberão os colaboradores de volta. O que acontecerá com eles? A tendência também é de uma nova configuração. O desejo das empresas nos Estados Unidos é ter um espaço de trabalho mais fluido e acolhedor. Dessa forma, os profissionais têm um ambiente de colaboração.

Essa é uma mudança importante dos espaços de trabalho nos EUA e em todo o mundo. Antes da pandemia, o movimento era de densificação, ou seja, colocar o máximo de pessoas possível dentro de um mesmo ambiente.

Ainda assim, segundo Murray, havia a previsão de que aproximadamente 30% dos escritórios seriam ocupados por coworkings e outros locais similares até 2030. Ele diz que, com a pandemia, esse movimento se intensificou.

Como os espaços de trabalho nos EUA deverão ficar?

Agora, os escritórios se tornarão uma representação da marca e da cultura organizacional. A ideia é mostrar em que sua empresa acredita, qual é o senso de propósito etc. Isso implica uma melhoria do layout, que ajude a atrair e reter talentos, e seja um ponto de diferenciação.

Essa questão é importante, porque muitas pessoas revisaram suas vidas nesse período de pandemia. Com isso, as empresas precisam se ajustar às novas necessidades e oferecer atrativos para atrair talentos. É aqui que entra a flexibilidade, já citada.

Murray destaca que o que os novos profissionais procuram é ter fluidez na carreira, o que pode ser conseguido com o trabalho híbrido. Ou seja, cada vez mais,aquela ideia de trabalhar uma vida toda no mesmo lugar some.

Diante desse novo cenário, atender às demandas dos profissionais é sinônimo de vantagem competitiva. Afinal, com talentos melhores e mais qualificados, é possível se destacar perante a concorrência e agregar valor ao negócio.

Em vez de trabalhar apenas com o escritório tradicional, é possível adotar o trabalho remoto e, ao mesmo tempoo, os escritórios sob demanda. Dessa maneira, você conta com toda a estrutura necessária sem ter custos elevados. De quebra, ainda satisfaz os colaboradores.

Portanto, mais do que um escritório tradicional, vale a pena repensar os espaços de trabalho nos EUA e também no Brasil e em outras partes do mundo. Com uma nova configuração e a implantação do modelo híbrido, o resultado tende a ser melhor para ambas as partes.

Quer saber mais sobre essa tendência? Conheça os escritórios flexíveis no mundo e os novos formatos de trabalho, com exemplos de empresas multinacionais.

Texto escrito por Fabíola Thibes, jornalista e redatora web.