Gestão de Facilities

Síndrome de Burnout é responsabilidade do gestor de facilities ou RH?

Renato Ribeiro
Escrito por Renato Ribeiro em março 30, 2021
5 min de leitura
Síndrome de Burnout é responsabilidade do gestor de facilities ou RH?
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Um gestor de facilities ou de RH tem uma responsabilidade muito grande dentro de uma empresa.

Isso significa, claro, lidar com assuntos delicados — muitas vezes, que têm a ver com a saúde do trabalhador. Mas quando falamos de burnout, isso também é responsabilidade desses profissionais?

Doenças causadas pelo estresse no trabalho estão se tornando cada vez mais comuns. Como o gestor de facilities ou o RH pode agir para resolver esse problema? Neste texto você tira essas e outras dívidas. Confira!

Quem são o gestor de facilities e o RH?

Antes de saber das suas responsabilidades, é fundamental entender quem é o profissional da gestão de facilities. A profissão é relativamente nova aqui no Brasil, mas cada vez mais as empresas percebem sua importância. 

O gestor de facilities é o responsável por administrar diversos tipos de empresas e estabelecimentos, como shoppings, condomínios, hospitais e bancos. Apesar de atuar como administrador, a visão do gestor é um pouco mais macro: ele deve planejar levando em conta todos os produtos e serviços que são necessários para o funcionamento do negócio.

Resumindo: ele precisa gerenciar serviços de limpeza, administrativos, segurança, tecnologia, comunicação, produtos e muito mais. Por outro lado, ele é cada vez mais estratégico dentro das organizações e suas decisões são cruciais para a empresa.

O gestor de RH, por sua vez, como o nome sugere, cuida da área de Recursos Humanos nos contextos operacional e estratégico.

Diante desse contexto, problemas como a síndrome de burnout é de responsabilidade do gestor de facilities ou do RH?

O que é síndrome de burnout?

O nome pode soar estranho, mas a patologia tem se tornado cada vez mais comum entre os trabalhadores. O distúrbio é um esgotamento físico e emocional causado por uma rotina de trabalho desgastante. 

O burnout é mais comum em pessoas que trabalham com envolvimento interpessoal. Vendedores, por exemplo, estão muito propensos, já que têm uma jornada exaustiva, precisam se preocupar com comissões e lidam com inúmeras pessoas diariamente.

Além deles, profissionais da saúde também estão muito propensos a esse distúrbio — principalmente em tempos de eventos inesperados, como a pandemia da Covid-19. Apesar disso, qualquer profissional pode ser acometido pelo burnout.

E como o problema se manifesta? 

  • Isolamento dos colegas de equipe;
  • Dificuldade para se concentrar;
  • Mudanças bruscas de humor;
  • Agressividade e irritabilidade;
  • Ansiedade e depressão;
  • Ausências no trabalho;
  • Lapsos de memória;
  • Baixa autoestima;
  • Estresse crônico;
  • Fadiga extrema;
  • Pessimismo.

Além desses males, a doença também traz incômodos físicos, como cansaço, dores musculares, dor de cabeça e enxaqueca, sudorese, pressão alta, palpitação, crises de asma e problemas gastrointestinais.

Síndrome de burnout é atribuição do gestor de facilities ou RH?

Com tantas atribuições, nós já imaginamos que o gestor de facilities ou de RH também é responsável por lidar com profissionais que sofram de burnout. Mas será? 

O burnout é visto como uma doença ocupacional. Claro que os casos são particulares, mas em geral a recomendação é de que o trabalhador seja afastado de suas atividades, além de começar com tratamento médico e, de preferência, psicológico.

Nesse sentido, exceto em situações muito específicas (como excesso de demandas e assédio), o gestor de facilities ou de RH não pode ser responsabilizado por uma questão individual. Ao mesmo tempo, ele tem o desafio de trabalhar a favor de uma cultura saudável, que privilegia o bem-estar dos colaboradores. Assim, contribuirá para que não haja ocorrência de burnout na empresa.

Como o gestor de facilities ou RH pode evitar o burnout em uma empresa?

A prevenção é sempre o melhor remédio. E quando falamos em evitar o burnout, isso não deve ser uma função apenas do gestor de facilities ou RH. Trata-se de um trabalho em conjunto, em que todos atuam para um ambiente organizacional sadio. Abaixo, listamos algumas dicas que você pode implementar em sua empresa.

Fale abertamente sobre esgotamento profissional

É comum que o colaborador sequer imagine que está passando pelo burnout. Um passo interessante é dar o primeiro passo para que as pessoas possam discutir sobre o assunto. Que tal chamar algum especialista que explique o que é burnout e promova uma dinâmica sobre o assunto?

É importante que todos se sintam seguros para falar a respeito do tema — e, claro, o que for dito em uma reunião do tipo não pode ser usado para prejudicar o trabalhador. Portanto, o gestor de facilities ou RH deve levar essa iniciativa como uma forma de colocar os diferentes setores da empresa a par do assunto.

Outra atividade que o gestor pode promover é a semana da saúde mental, com profissionais da saúde e do RH explicando sobre o assunto. Com o auxílio da equipe de comunicação, avisos sobre a campanha e textos sobre burnout podem ser distribuídos para todos os colaboradores.

Quando o esgotamento profissional se torna um tópico normalizado de discussão, fica mais fácil para os funcionários desabafarem e reconhecerem as causas e os sinais de alerta.

Organize atividades para aliviar o estresse

Atividades mais comuns podem ser aliadas para evitar o estresse e um provável burnout. Durante a pandemia e a adoção do anywhere office, muitas vezes as únicas pessoas com quem os funcionários conversam são os familiares e os colegas de trabalho.

Então, promover atividades de interação social pode espantar o estresse e criar laços entre os colaboradores. Com essas atividades, o funcionário percebe que a empresa o enxerga como um indivíduo único, e não apenas uma peça de engrenagem.

Vale um delivery no fim do trabalho, uma sexta-feira da pizza ou uma rodada de filmes na Netflix. Em parceria com a área de Recursos Humanos, o gestor de facilities pode até fazer um levantamento para descobrir quais atividades de confraternização os colaboradores preferem.

Pense nas estações de trabalho

Se a empresa tem trabalhado no formato híbrido durante a pandemia ou ensaia uma volta ao escritório, esta dica vai ajudar bastante.

Na hora de organizar as estações de trabalho, é preciso pensar na atividade que será exercida em cada uma delas. Algumas funções exigem foco total, enquanto outras necessitam de interação (mesmo que a distância). 

Além disso, a personalidade também influencia. Enquanto um colaborador pode preferir um local mais silencioso, outro se sente mais confortável com as interações sociais.

O gestor de facilities ou RH deve levar esses fatores em consideração na hora de organizar e propor os melhores ambientes.

Como vimos ao longo do texto, o gestor de facilities ou de RH não pode se responsabilizar diretamente pelo burnout, mas deve sim promover iniciativas que privilegiam uma cultura saudável. 

Para continuar lendo sobre o assunto, aproveite para conferir quais são os 10 principais desafios da Gestão de Facilities.

Texto escrito por Cláudia Araújo, jornalista e redatora.