Futuro do Trabalho

A semana de trabalho de cinco dias pode estar ameaçada

Renato Ribeiro
Escrito por Renato Ribeiro em janeiro 29, 2021
5 min de leitura
A semana de trabalho de cinco dias pode estar ameaçada
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Você acha que seu fim de semana passa muito rápido e sonha em ter mais tempo livre com a família? Então, saiba que empresas por todo mundo já têm seguido o movimentado no sentido de abandonar a semana de trabalho de cinco dias, reduzindo a jornada. Mas será que isso funcionaria por aqui?

A pandemia forçou muitas empresas brasileiras a fracionarem sua jornada de trabalho. Algumas por conta do distanciamento social decretado pelo governo, outras pela necessidade no corte de gastos. Isso causou uma série de incertezas, especialmente por ter resultado também, em muitos casos, na redução de salários.

Contudo, em alguns países estrangeiros a redução da jornada da semana de trabalho de cinco dias já é praticada visando o benefício não somente das empresas, mas também dos funcionários. A explicação pode ser o fato de nestes casos isso é feito de forma programada.

A redução da jornada de trabalho pode parecer nova e impactante em um primeiro momento, mas se buscarmos historicamente veremos como um processo natural. Tanto que, já em 1956, o então vice-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon previu que “em um futuro não muito distante” a semana de trabalho de cinco dias seria reduzida para apenas quatro.

Pode ter levado um tempo desde a previsão, mas hoje o cenário é bastante favorável a essa transformação. Afinal, os trabalhadores estão cada vez mais cientes de seus direitos e deveres e em busca de uma maior qualidade de vida. Somamos a isso uma tecnologia que vem avançando a passos largos e é capaz de substituir o ser humano em uma infinidade de atividades.

Como aplicar a redução da semana de trabalho de cinco dias

No mundo, temos diversos exemplos de modelos para a aplicação da redução da jornada de trabalho de cinco dias por semana para apenas quatro. Isso porque é importante que a empresa escolha o sistema que melhor atenda às suas necessidades e de seus funcionários.

Podemos citar como exemplo a Unilever e a Microsoft, duas grandes multinacionais que decidiram testar a semana de trabalho de quatro dias.

A Unilever adotou o modelo inicialmente como teste por um ano em sua unidade da Nova Zelândia. Nele, os 81 funcionários daquele país trabalharão quatro dias por semana até dezembro de 2021, sem redução do salário. Se tiverem bons resultados, o modelo será replicado para todas as unidades da empresa pelo mundo.

Já a Microsoft aplicou o teste em sua unidade no Japão. No mesmo modelo, ela concedeu a sexta-feira de folga aos funcionários, de maneira remunerada. Ou seja, mantendo os mesmos salários. O resultado foi um aumento de 40% na produtividade e uma queda de 23% nos custos com eletricidade na sede da empresa.

Porém, algumas empresas entendem que abrir mão dessas horas do quinto dia seria prejudicial aos negócios e optam por diluí-las entre os quatro dias trabalhados. Ou seja, em um contrato de trabalho de 40 horas, ao invés de cumprir 8 horas por dia, o funcionário trabalharia 10 horas.

Quando pensamos em semana de trabalho imaginamos começar na segunda-feira e terminar na sexta-feira. Porém, outra opção da redução da semana de trabalho de cinco dias é permitir que o funcionário distribua as horas de trabalho contratadas nos períodos desejados. Seja durante a semana ou nos fins de semana. Afinal, há quem não se importe em passar algumas horas de seu fim de semana trabalhando, contanto que isso garanta os almoços e jantares diários na companhia dos filhos.

Além disso, com o aumento das posições remotas e de home office no período de pandemia, o trabalho realizado em horários diversos em momentos mais produtivos é muito bem aceito por muitas empresas.

Como esse modelo de trabalho ainda é muito novo e as regras ainda são bastante discutidas, o melhor a fazer é avaliar o que pode ser vantajoso ou não para as empresas e para funcionários. E, principalmente, se a melhor opção é a jornada de trabalho reduzida.

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Vantagens da semana de trabalho reduzida

Com base no que foi relatado pelas empresas que testaram a redução aa semana de trabalho de cinco dias para quatro, podemos verificar algumas vantagens principais:

Diminuição dos custos

Não há dúvidas de que os custos do dia a dia são reduzidos para ambas as partes. Para os funcionários diminuem os gastos com deslocamento e com alimentação fora de casa. Para as empresas reduzem custos significativos de manutenção do escritório, como eletricidade, água e limpeza, com os dias em que o local de trabalho permanece fechado.

Funcionários mais comprometidos

A redução da jornada de trabalho para quatro dias proporciona aos funcionários a possibilidade de passar mais tempo com seus familiares e exercendo atividades que lhe dão prazer. Com isso seu nível de estresse é reduzido, ficam menos doentes e retornam aos seus postos mais dispostos, descansados e felizes com a empresa.

Maior produtividade

No mesmo passo do comprometimento está a produtividade. É normal que ao longo da semana de trabalho o cansaço diminua a motivação e a produtividade dos funcionários. Esse dia a mais para descansar e o equilíbrio com a vida pessoal auxiliam para que os colaboradores fiquem mais focados e consequentemente mais produtivos.

Impacto ecológico

O impacto positivo para meio ambiente da uma semana de trabalho de quatro dias já foi verificado. Em 2007 o estado de Utah nos Estados Unidos definiu a jornada de 40 horas de trabalho em quatro dias, com folga na sexta-feira, para mais de 17.000 funcionários. O resultado foi a diminuição de pelo menos 6.000 toneladas métricas de emissões de dióxido de carbono, somente nos primeiros dez meses.

Atratividade e retenção

A perspectiva de trabalhar apenas quatro dias por semana pode ser um grande atrativo para novas contratações e para a retenção dos melhores talentos. Especialmente se essa oportunidade incluir, ainda, a opção de se trabalhar em qualquer lugar.

Desvantagens da semana de trabalho reduzida

Para alguns perfis de empresas e funcionários a redução da jornada de trabalho pode trazer também desvantagens, que precisam ser avaliadas.

Estresse por excesso de trabalho

Os modelos de redução de dias de trabalho semanais em que a carga horária não é reduzida podem ser estressantes. Isso porque o funcionário tem uma jornada de 10 horas, todos os dias, que pode ser bastante cansativa física e intelectualmente.

Não se adapta a todos os negócios

Nem todo tipo de negócio consegue adotar esse modelo de trabalho, especialmente os que incluem atendimento ao cliente e prazos apertados. Nestes casos, uma solução pode ser determinar dias diferentes para a “folga” dos funcionários.

Exige autodisciplina e controle

Reduzir a jornada da semana de trabalho de cinco dias para quatro requer não somente o ajuste de processos, mas também uma forte reestruturação da cultura da empresa. É preciso acompanhar se os funcionários têm autodisciplina para cumprir todas as suas atividades em tempo reduzido ou se não estão “saindo do ritmo” durante as folgas prolongadas. E caso encontre algum desvio, aplicar uma solução rápida.

Como decidir pela redução da semana de trabalho de cinco dias?

A decisão dependerá das necessidades da empresa e dos funcionários. É preciso ter um bom background tecnológico, analisar o tempo ocioso dos funcionários e se eles serão capazes de realizar suas funções no tempo reduzido, além de total controle dos processos. Enfim, é imprescindível avaliar quais serão os reais benefícios para os negócios, não só financeiros, mas também estratégicos.

Caso decida tentar, comece devagar, com um teste por um tempo limitado, sempre mantendo os direitos dos funcionários e dentro das leis trabalhistas.

Enquanto a mudança não vem…

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Samantha Panzini é formada em Turismo e pós-graduada em Administração. Apaixonada por Marketing Digital, atua como freelancer na área de Produção Conteúdo.